LOVE KILLS — O MELHOR FILME DE VAMPIRO FEITO NO BRASIL
- Lord A Andreas Axikerzus Sahjaza
- 12 de mai.
- 3 min de leitura
por Lord A:.

Era uma segunda-feira à noite, começo de inverno. As luzes artificiais da cidade se derramavam pela janela do carro, refletindo brilhantes nuances no meu casaco. Xendra me olhava levemente cética na penumbra do automóvel: um filme de vampiros feito no Brasil — o que será que veremos, amado? Era um marcador de calor na baixa temperatura.
O nome do filme é Love Kills, dirigido por Luiza Shelling Tubaldini, e tinha sua pré-estreia no
Cine Marquise do Conjunto Nacional. Fila na entrada, sala cheia — sempre um sinal excelente quando se trata de terror nacional. Ainda mais uma obra de vampiros.
Escrevo estas linhas momentos depois de termos assistido, e meu sentimento é de êxtase: que filme é esse? Estamos diante do que é, ao meu ver, o melhor filme de vampiro já produzido no Brasil.
São Paulo — e em especial seu centro velho — atua quase como um personagem romântico na sua insurgência contra a modernidade: brutalista, inóspito, carregado de um tom emocional elegante e sutil nas cores das luzes. Era exatamente o que enxergávamos nos passeios da São Paulo Maldita e no The Black Limousine Ride. Como se a diretora lesse nossos pensamentos e sonhos acordados. Nossa metrópole é, ela mesma, um cenário vampiresco.
A protagonista é Helena — uma imortal negra e filha dos milênios, interpretada com entrega rara por Thais Lago. Casca grossa, mas capaz de articular o vazio como ninguém para atravessar a jornada. E quando deixa seus afetos e sensibilidade aflorarem, desvela camadas e potências únicas. A entrega de todo o elenco é um ponto alto e notável da obra.
A atmosfera vampírica não é decoração — ela sustenta uma história bem elaborada. Há momentos e diálogos filosóficos genuínos, embates físicos bem coreografados e sobretudo bem integrados ao contexto. Os efeitos são caprichados sem abafar os outros elementos.
Excelente arquitetura e entrega.
Da trama não falarei — não darei spoilers, e quero que todos os meus leitores assistam ao filme, de preferência nos cinemas, a partir de 21 de maio de 2026. O que posso dizer é que apreciei profundamente a visão de imortalidade que pulsa nos diálogos — e sobre isso escreverei em próximos textos, para não afetar a experiência de vocês.
O QUE ACONTECEU ANTES DO FILME
Como todos sabem, os meses de abril e maio são puxados para nós por conta dos preparativos da Carmilla Noite de Gala Sombria. Tudo começa sempre muito antes de agosto. Quando Luiza me escreveu convidando e pontuando que nossa presença era importante na pré-estreia, confirmamos imediatamente. Mas nada preparou nosso coração para o que veio antes do filme começar.
Luiza falou para a plateia sobre os desafios da produção de cinema de fantasia no Brasil — gênero ainda raro, ainda subvalorizado, mas com o poder simbólico de transformar realidades. Em seguida, falou sobre como o mito do vampiro representa o excluído, o exilado, o marginal — por cor, gênero, origem — e como abordar esse arquétipo com terroir brasileiro é o que tornou Love Kills verdadeiramente singular.
E então ela mencionou o Vox Vampyrica e os materiais publicados no ecossistema da Rede Vamp como primordiais para a construção da visão do filme. Fez uma honrosa menção ao meu trabalho ao longo dos anos. Pediu que eu me levantasse — e os aplausos vieram direto ao meu coração selvagem.
Foi lindo. Um presente desses faz parte dos mistérios que a vida reserva para a gente.
Recebemos o mesmo carinho dos atores depois da sessão — que até mencionaram trechos específicos que os marcaram. Ainda estou em êxtase. Que asas douradas e escarlates façam ressoar este filme ainda mais para toda a nossa Gente do Luar e das Estrelas.
LOVE KILLS — INFORMAÇÕES OFICIAIS
Love Kills é um thriller de terror-romantasia, adaptação da graphic novel homônima de Danilo Beyruth, dirigido por Luiza Shelling Tubaldini. Estrelado por Thais Lago (DNA do Crime, 3%) e Gabriel Stauffer (De Volta aos 15), o filme se passa no centro de São Paulo — devastado pelo crack — onde uma jovem vampira imortal e um garçom mortal se aproximam, até que ele é arrastado para uma rede perigosa de intrigas que desafia sua própria mortalidade.
O filme estreou no Festival de Sitges (Espanha), um dos mais importantes do mundo no gênero fantástico, e competiu no Festival do Rio 2025, onde venceu o prêmio de Melhor Som. Esteve na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e é exibido neste mês no BIFFF — Festival Internacional de Cinema Fantástico de Bruxelas. Distribuído no Brasil pela O2 Play, chega aos cinemas em 21 de maio de 2026.
Luiza Shelling Tubaldini atua no cinema há mais de 24 anos. Dirigiu A Princesa da Yakuza (2021), que figurou entre os filmes mais vistos do mundo em sua semana de estreia na Netflix. É uma das raras diretoras trans em atuação prolífica no hemisfério sul.
São Paulo, abril de 2026






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